Aquele dia avia começado cedo, tinha um consulta pela manhã, confesso que eu não queria sair da cama, ali estava gostoso e eu não queria levantar, mais a minha mãe foi mais insistente, fui para a consulta e correu tudo bem, quando passei pelo corredor vi um amigo que trabalhava ali na clinica ele sorrio pra mim como sempre e eu segui embora, fui para a biblioteca municipal e vi vários livros, escolhi um e logo desci para encontrar minhas amigas, conversamos e rimos bastante, recebi uma carta de uma pessoa especial, dizia coisas que realmente em fez sentir bem, vim embora junto com a minha irmã e passei o resto do dia na internet, não sentia a mínima vontade de sair pela noite mais meus amigos insistiam, tomei banho e subi para a praça com minha irmã, chegando la encontramos alguns amigos, ficamos sentados na fonte bebendo Ice e rindo bastante, logo subimos para trás da igreja, onde sentamos e ficamos fumando e conversando, eram 23:00 horas e as meninas precisavam ir embora, nos despedimos dela e ficamos agora em um quarteto, permanecemos mais uns instantes ali mais logo decidimos ir para o barzinho da rua de baixo, entremos la e nos sentamos na primeira mesa, eu me deparei com a cantora de um casamento que eu avia ido, eu avia beijado ela e isso me fez ficar sem graça quando a vi ali, mais eu acabei rindo da situação, bebíamos cerveja enquanto jogava-mos papo fora, meu olhos permaneciam sempre na cantora porém não avia malícia em meus pensamentos, apenas um encanto pelas musicas que ela cantava, um pouco mais a frente avia uma mesa, com varias moças, modesta parte todas bonitas, eu as encarava as vezes, mais apenas por perceber o quanto essas bebiam, logo uma garota que eu conheço me tirou para dançar, eu estava empolgada pois era uma musica que eu gostava, então eu topei, dancei bastante com ela enquanto riamos, mais logo voltei a mesa, sem querer acabei derrubando o copo de cerveja sobre a mesa e minha calça, fiquei com cara de pateta por isso mais no fim ri de novo, me sentei em outra cadeira e comecei a cantar junto com meu amigo as musicas que aviamos pedido para a cantora, nos divertimos bastante, me levantei novamente e me guiei para fora do bar, tinha alguns amigos sentados na mesa que ficava na calçada e então parei ali para falar com eles, avia deixado meu celular sobre a mesa que eu estava mesmo assim o ouvi tocar, corri até a mesa e vi que era alguém que eu não poderia deixar de atender, um sorriso se esboçou em meus lábios sem que eu percebesse, eu atendi mais não podia ouvir nada pois o barulho era grande, pedi que me ligasse depois de uns minutos e desviei meu olhar para a porta, as moças daquela mesa de antes saiam do bar, umas rindo e outras normais, eu me levantei e parei ao canto da porta desviei o olhar para elas apenas por curiosidade, e logo duas delas voltaram elas se direcionaram ao banheiro minha irmã me olhou rindo e logo foi pra lá também, eu neguei com a cabeça e voltei a olhar para as outras, elas entraram no carro e logo saíram, eu voltei para dentro do bar mais logo que me sentei o meu celular tocou novamente, eu me levantei e sai quase correndo para a rua para poder atender, por algo que eu não sei explicar eu parei no meio da rua, dei apenas dois passos para trás e neguei a cabeça com aquela ação sem sentido, em seguida voltei a andar, ia caminhando em direção a esquina totalmente distraída por falar no celular, me aproximei do meio fio pois queria atravessar para chegar na praça, no mesmo instante que coloquei o pé na rua para atravessar uma força me empurrou para trás, talvez foi alguém ou alguma força, mais me mandaram pra trás, em questão de segundos uma moto sobe com alta velocidade e se choca no carro qual iria me atropelar se não tivesse ido para trás, o carro avia passado a dois passos de mim, no máximo, eles se chocaram em uma força tremenda, percebi que algo avia caido ao meu lado, mais o choque por ver aquela batida foi tão grande que meu corpo não se movimentava, olhei para o carro, e quem estava nele ? aquelas meninas que tanto bebiam na mesa em minha frente, logo as outras duas que aviam ficado para trás subiram gritando pelo nome da qual estava dirigindo, eu desvie meu olhar para o lado e vi que o que avia caido ao meu lado era um pé, meus olhos se arregalaram ao extremo e meu corpo se estremeceo de uma maneira que não sei explicar, poucos segundos depois minha irmã subiu com mais dois amigos me gritando, eu mal conseguia responder mais virei o rosto para eles, ela me abraçou e perguntou se eu estava bem, eu afirmei com a cabeça e logo apontei o moço que estava embaixo do outro carro que estava estacionado, ele avia quebrado no meio, estava horrível, meu choque acalmou depois de uns instante e caminhamos até o outro lado da rua para ver quem era o moço, tentamos ver por algumas vezes e parecia impossível por seu rosto estava grudado ao motor da moto, no meio da rua as garotas gritavam em uma discussão que parecia pessoal, tornei a olhar para o moço que estava ali, até que reconheci sua blusa e um flash de um momento passado pela manhã bateu em minha mente, levei rapidamente as mãos diante de minha boca e dei alguns passos para trás, estava abismada, não poderia ser meu amigo, ele avia sorrido para mim durante a manhã, eu tinha visto ele, ele estava tão vivo, tão bem, e agora ele estava ali, todo quebrado e com alguns membros desligado de seu corpo, senti que meu ar faltava e olhei para uma amiga que subiu desesperada, ela se aproximou e me perguntou quem era, em um sussurro eu citei seu nome, e a reação dela foi quase a mesma que a minha, mas ela se entregou a um choro intenso, as lágrimas corriam por seu rosto de uma forma triste, desviei meu olhar para cima e me deparei com minha irmã sentada na mureta, ela chorava muito junto com uns amigos e eu não sabia o que fazer, minha amiga, qual estava chorando me perguntou quem avia feito aquilo com ele, eu apenas apontei a moça, aquela moça, pude ver a raiva e a dor se fundir em seu olhar, ela saiu andando em direção aquele grupo sem pensar em nada, e começou a gritar, não tardou muito aproximou mais uma moça qual bateu de frente com ela, eu corri até elas e tentei acalma-las para que tudo aquilo não aumentasse, depois de gritos e empurrões consegui tirar ela dali, outra amigas gritavam que iriam matar a qual estava dirigindo, eu não poderia deixar aquilo acontecer, iria tirar a razão da familia do meu amigo, então corri até aquele grupo, que não merecia, mas eu pedi que se retirassem dali, uma deles me olhou e entre a briga pessoal ela gritou que a culpada de tudo era eu, eu assustei sem entender e neguei com a cabeça, mas ela insistiu nisso, eu apenas pedi novamente para que retirassem de la a moça que estava dirigindo e voltei para junto de minha irmã, ela estava no celular aos prantos com a familia dele, meus amigos estavam inconformados e eu, eu não sei dizer como eu estava, era uma mistura de sentimentos, eu o olhava ali, e me vinha na mente a frase que aquela garota avia gritado pra mim, eu tentava entender o porque daquilo e nada me trazia uma resposta, eu fiquei calada e apenas o olhava, logo sua filha chegou, eu a encarei como se pudesse aconselha-la com o olhar, eu sabia a dor que ela estava passando, eu sabia que perder um pai é a pior dor que pode se sentir, mas nada eu conseguia falar, já aviam passado horas e ninguém tomava uma providencia para tira-lo de lá, pois precisava da pericia da cidade vizinha, eu encostei na arvore e fechei meus olhos, então pude ver o acidente novamente, eu me assustei e abri os olhos, minha garganta estava seca e eu queria entender porque a essa injustiça, tantas pessoas com saúde que se matam, tantas marginais vivos e soltos por ai , e ele, uma pessoa que amava a vida e sempre fazia todos felizes estava ali, sem vida, não era justo aquilo. Decidi vir embora, eu precisava esquecer um pouco aquela cena, aquela frase, tudo em geral, cheguei em casa e minha mãe me olhou, perguntou o que avia acontecido e eu contei a ela, ela estava sonolenta e por algum motivo ela brigou comigo, eu já estava tão acabada que aquilo foi o tiro final pra mim, eu neguei com a cabeça e ri de um modo irônico, pois era a unica reação que me sobrava, tirei minha roupa e me joguei na cama, eu estava chateada, chocada, traumatizada, inconformada, em fim, era uma junção de sentimentos, eu fechava meus olhos e aquela cena vinha em minha mente, e eu me assustava, era como se a cada piscada longa eu a revivesse, continuei deitada e rolava de um lado para o outro, mas o cansaço acabou me vencendo e me fez dormir, mas logo pela manhã meu celular tocou, eu atendi e era minha mãe, ela chorava e eu entrei em desespero, pensei que algo avia acontecido com ela, então ela começou a falar, e me pediu perdão pelo modo qual me tratou na madrugada que eu tanto precisava de força, eu fiquei quieta apenas ouvindo as palavras dela, um sorriso se esboçou em meus lábios, eu estava surpresa, nunca minha mãe avia me pedido desculpa que fosse, e nem mesmo chorado por mim, meus olhos se encheram de lágrimas mas eu quis me demonstrar forte perante ela, assim como ela é, e apenas falei que estava tudo bem, então conversei com ela um pouco tentando acalma-la, logo que desligamos a ligação eu me deparei com a foto dela na tela de meu celular, ela não sabe, mais é ela quem esta comigo na foto, eu sorri enquanto deslizava o dedo pela tela, minha mãe avia me mostrado sentimentos, e isso era bom, mas logo me veio na mente o acidente, então pulei da cama e me arrumei, coloquei uma bata escura e um raiban, chamei a minha irmã e subimos juntas para o velório, ele ainda não estava lá, mais tinha muitos amigos e parentes, por algum motivo todos passaram a me achar a testemunha matriz, e isso me incomodava, pois cada vez que ia contar a alguém eu relembrava, fiquei la por um bom tempo, olhava para as arvores que o vento balançava e refletia sobre a vida, decidi ir dar uma volta mais logo voltei, fiquei sentada dentro do salão mesmo sem ele estar ali, varias pessoas se aproximavam de mim como se eu fosse o jornal do momento, eu explicava algumas coisas e procurava o máximo não ficar entrando em detalhes, estava beirando 14:30 e ele chegou, pensei que seu caixão ficaria fechado, mais não ficou, não me aproximei muito, mais fiquei observando, de todos os choros que ali se ouviam um se destacava, era o de sua mãe, eu parei e fiquei olhando para ela, ela falava algumas coisas com ele, que mexiam com todos meus sentidos, eu me aproximei um pouco mais e o olhei, eu me senti um pouco mal, pois relembrei novamente a cena e decidi logo sair de perto, continuava a ouvir o que a mãe dele e algumas pessoas me abordavam para saber sobre o acidente, eu queria continuar ali mais me sentia incomodada por isso, então decidi vim embora, lentamente vim trocando passos enquanto olhava para as coisas que não tinha importância, desviei o olhar para o céu e fiquei ali imaginando, onde estaria eu aquela hora, se na madrugada anterior eu estivesse a dois passos a frente, como estaria minha familia aquela hora, eu me estremessi somente em pensar naquilo e agradeci por minha vida, por estar viva, e desejei que o trauma passasse logo, peguei o celular e liguei para minha mãe, conversamos e ela me pediu para que eu não saiste de casa, eu desliguei e a obedeci, fiquei deitada na minha cama, pensando sobre tudo, sorria algumas vezes e meus olhos se enchiam de lágrimas em outras, eu olhei para o céu e pensei: ' Nunca irei deixar nada para amanhã, nunca irei deixar de dizer a alguém o que eu sinto, nunca irei deixar de me desculpar quando estiver errada', pois nessa terra nada é certo, nem que você estará vivo daqui alguns segundos, é realmente tudo muito injusto, mais é a lei da vida, a lei injusta.
E ao nosso querido Deminha que deixará saudades a todos, por seu jeito de ser, por sua bondade, carisma e tudo mais, eu desejo que descanse em paz, e vá com Deus, pois todos que aqui na terra te conheceram, só terás de ti boas lembranças e muitas saudades. ♥



